Josué era virgem
Antônia, imaculada
Josué era homem
Antônia seria imolada
Josué tinha um dote
Antônia agora teria um consorte
Antônia tinha medidas generosas
Josué, apenas uma – espantosa!
Josué pediu a mão de Antônia a Antônio,
o enfezado pai dela
Levou um buquê de gerânios
Dim-dom – a campainha esgoela
Painho assentiu
Cuide bem do meu neném
Amor maior nunca existiu
Vem, fêmea, povoar meu harém
Dela Josué herdou vacas a pastar
E alguns vinténs
Retribuiria com um membro cavalar
Vem, fêmea, colonizar meu harém
Pobre Josué, que não afogava o ganso, mas as mágoas,
Na birita, na cachaça, na manguaça
O priapismo o rondou tal qual uma ameaça
Há três bilhões de mulheres por aí afora
Nenhuma disposta a acasalar sua tora!
Era sempre a mesma história
Moratória! Moratória!
Ganhava no máximo uma chupada
E lá ia se aliviar na privada
Antônia era casta
Mas de ser casta já basta!
Chega de visitar seu estábulo às escondidas
Onde, tal como Midas,
Tocava seu cavalo, seu Corcel Negro
Insensível a ela como gelo
(Lá apalpava também seu grelo)
(Depois das aventuras no estábulo
Ia rezar no tabernáculo
Pedia perdão pela mácula
E ia trabalhar
Da batata extraindo a fécula)
Josué e seu membro de aço
Dariam adeus ao primeiro cabaço
Já vai tarde!
Um abraço!
Antônia de Josué pouco esperava
Que fosse cabra macho bastava
Que comesse ela
E sua especialidade
Fabulosa galinha à cabidela!
Com vontade
Incapaz de distinguir a fome
da saciedade
A torto e a direito se casaram
Ela vestia branco
Ele, honesto, franco,
vestia fraque
Ela em breve seria uma dama de vermelho
Porque ele estava à beira do ataque
Depois do sim, das juras, das promessas
Vamos direto ao que interessa
Este poema já tem doze estrofes
Peço desculpas ao leitor
Este relato é pornô soft
Saíram da capela
A cueca mela, mela
Antônia mordia os beiços
Meu amor, cuidado pra não bater o carro naqueles freixos!
No caminho, ouviram Lucinda
As cidades de Lucinda
A cartografia sentimental de Lucinda
Lake Charles, Greenville, Jackson
Se ouvissem a Lucinda sexy
Steal Your Love, Honey Bee, Come On…
Meu Deus!
Eu encerraria minhas atividades como eu-lírico
Josué e Antônia, para mim, seriam como a pedra de Sísifo
Sem a cópula, o poeta não tem encargo
Josué e Antônia seriam um fardo
Reles casal de nubentes
Mais chato que os das igrejas crentes
Para o alívio do leitor
Eles chegaram ao hotel
Nada de ‘que horror’
Não era motel
(Nem quartel)
Mas as coisas que ocorreriam naquele quarto
Seriam coisas de motel
(E de quartel)
(Dependendo do quartel)
Lá estava a alcova
A cama
As toalhas de rosto e de banho, os lençóis
Alvos, brancos, puros
É isso mesmo, não há rimas nesta estrofe
Às vezes não se pode tomar liberdades com algo tão sagrado.
Antônia, recatada,
melindrada,
Mal ficou pelada
E virou de costas
Quem visse diria que ela não gosta
Mostra, Antônia, mostra!
Josué, de príncipe viraria sapo
Príapo, Príapo, Príííííapo
(Que, aliás, de deus grego nada tinha
Seu rosto parecia ter sido talhado
Com uma machadinha.)
Tirou a cueca
Bora dar uma surra de pica nessa levada da breca?
Antônia se virou
E quem dera não tivesse se virado, não tivesse dito sim
Pobre de mim
Quem dera tivessem batido o carro nos freixos da estrada
Ironia do destino – que desatino!
Trocou a roça, a enxada
Por uma piroca
Uma enxada inchada!
Antônia viu aquilo
E exclamou:
Não tô numa sessão de Boogie Nights!
Espera só que eu vou te ler meu Bill of Rights!
Josué ficou amuado
Nada de errado
Em ser bem-dotado
Digo em alto e bom som
Sou bem-dotado!
Pensa pelo lado bom
Pelo menos não sou sado
Josué não deu trela
Queria rala-e-rola
Colchão de mola
E esfola-esfola
Josué pegou a vaselina
Oh, Antônia – vida severina! severina!
Vai ser a seco não, tá joia?
Já tô passando isso na minha jiboia
Vaselina evita atrito
Qualquer coisa dá um apito
Não é isso que vai te fazer mal
Dói bem menos que parto normal
(Nota do autor: É só comparar as duas cabeças.)
Porra, Josué,
você vai rasgar minha boceta!
Não tem problema,
podemos ter filho de proveta.
Você quer passar uma escopeta
Por uma greta
Pura treta!
Não dá só pra apertar minha teta?
Não! Tende piedade!
Meta isso na sua cabeça
Homem tem necessidades
Portanto, se ofereça
Compareça.
Obedeça.
Josué, eu posso ser filha de meeiro
Vim da roça, mas tô no século vigésimo primeiro
Isso aí é um enfado
Coisa do século retrasado
Podemos começar?
Tem remédio?
Fora a vaselina?
Não, imbecil. Tem remédio de “fazer o quê”.
Sexo, oras.
(Antônia faz cara de poucos amigos
Josué se faz de desentendido)
Para de fricote
Lua de mel não é só cheirar cangote
Você não é a última bolacha do pacote
Daqui a pouco eu te engasgo é na epiglote
Você não mete medo em mim, pamonha
Te mando pro banheiro tocar uma bronha
Não tô a fim de morder fronha
Então vê se não sonha
Mas não deu para evitar
Um tríceps aqui, outro músculo acolá
Antônia foi dominada
A fronha, antes recusada,
Virou sua camarada
Antônia, em sanha:
Isso é pra você aprender a não ser tacanha!
Queria tanto, agora não reclama!
Para de marra e abocanha!
E assim se fez.
Josué agora era Homem feito
Antônia chorava a fio
Josué a deixou só no leito
Cabra arredio, arredio
Antônia se sentiu usada
Humilhada
Ultrajada
Estuprada
Até que viu a aliança na mão
Ah, não!
Tal anuência
provavelmente invalidaria um boletim de ocorrência
Josué voltou para a alcova
Trouxe para ela um pano e uma escova
Conciliador, disse:
Meu pau tem trinta e dois, minha língua, oito
Vou usar tanto um como o outro
Média aritmética de trinta e dois e oito, quarenta, por dois, vinte
Viu? Desfez-se o acinte!

