“Você tá dormindo?”
“Tô”
“Tira os óculos da cara.”
“Não tô dormindo, só descansando.”
“Mas você pode dormir de lado e arrebentar a armação toda. Você vai ver o prejuízo.”
“Seu prejuízo.”
“Seu prejuízo.”
“Você quer alguma coisa das Lojas Americanas?”
“Não. Espera aí. (…) Não, ninguém quer nada.”
“Tá bom.”
“Como você vai pagar por essas coisas?”
“Débito. Meu dinheiro.”
“Ah, muito bem.”
Balneário Carioca, melhor quilo de Botafogo, dezembro de 2008.
“Vocês têm um cartão de fidelidade, não é?”
“Temos sim, mas não temos mais.”
“Acabou ou acabou?”
“Não, não, os cartões só que acabaram.”
“Eu soube porque vi uma pessoa tendo o dela carimbado.”
“É, a gente costuma carimbar. Dez carimbos, 300g grátis.”
“Mas eu já comi aqui umas vinte vezes. Por que vocês não falaram do cartão?”
*
Sobre isso, com Marília, em janeiro de 2009, agora de posse do cartão:
“Por que eles têm cartão de fidelidade e não distribuem?”
“Acho que eles esperam que as pessoas se dirijam ao balcão e digam: ‘Moço, eu como aqui umas três vezes por semana, daí tava pensando se vocês têm cartão de fidelidade…’”
No banco, para resolver aquela história da microfilmagem. Conversa vai, conversa vai, conversa vai, uma resposta enviesada vem, outra atravessada vem, até que:
“Vocês têm algum folheto que explique exatamente como funcionam os fundos de renda fixa?”
“Não, mas a internet explica.”
“É que poupança rende tão pouco. Um milk-shake do Bob’s por mês.”
“Mas é mais seguro.”
“Mas eu tô aqui exatamente por causa do congelamento dos rendimentos da poupança no governo Collor.”
“Cruze o cheque, Guilherme! Cruze o cheque.”
*
Tags: óculos, balneário carioca, caçador de marajás, cartão de fidelidade, economia doméstica, fundos de renda fixa, governo collor, lojas americanas, marília, milk-shake, perigos do cheque não-cruzado no rio de janeiro, plano verão, quatro bis por 10 reais, rendimento de poupança, três chocookies por 10 reais
31/01/2009 às 18:53
adoro a tag perigos do cheque não cruzado no rio de janeiro.
01/02/2009 às 23:42
as tags são a melhor parte, me divirto.
01/02/2009 às 23:43
fui eu ali em cima.
se bem que todo blog deveria ter um comentarista anonimo
02/02/2009 às 21:08
eu também nunca fico sabendo dos cartões de fidelidade…
02/02/2009 às 21:23
Novamente, fui supracitada, supercitada.
04/02/2009 às 14:08
Bem.
Acho que aquele primeiro trecho poderia ter sido diferente, depois de vc esmagar a haste esquerda dos óculos enquanto dormia.
Apesar de vc dizer o contrário, ele nunca será mais o mesmo.
Sorte que eu não preciso de óculos. Apesar de haver controvérsias quanto a isso.